Vida de mãe, mãe cheia de vida

28 de fevereiro de 2018

Por Stela Victório Faustino

Vida de mãe, mãe cheia de vida❣

Hoje acordamos as 5h30, depois de um mamazinho as 3h, que durara meia horinha. Zonza, me levantei mais do que rápido, parecia que eu havia acabado de dormir, então fiquei preocupada, porque minha pequena acordaria 2h depois de um bom mamazinho? Podia ser a gengiva coçando, as intensas mexidas na cama, gases?! Na dúvida eu corri.

Minha pequena chorou, queria colo, peguei seus 9 kilinhos de amor nos meus bracinhos molengos e nos deitamos abraçadinhas no sofá. Teta. Num horário que não precisaria ser teta. Para encostar minhas costas por mais uma horinha que fosse.

Segunda feira, não quis acordar o pai, que roncava um sono profundo.
As 6h30 tive um início de pensamento lúcido. Não devo dar peito sem que a demanda seja de peito. Acorda! Tirei o peito e nos deitamos na cama, eu sabia que dali em diante não haveria mais soneca. O peito e a soneca juntinhas ainda são um só. Já 60% acordada, comecei a me divertir com a cena. Papai tomava banho para ir ao trabalho, e nós aninhadas na cama, trocando cheirinhos e mexidinhas de uma mãozinha de 5 meses, ainda nervosa. Foram 10 minutos, até eu já ter alcançado meus 90% de acordamento. Precisava trocar fralda, escovar meus dentes, tirar o pijama molhado de leite, se possível eu gostaria de resolver uma leve dor de barriga que me assolava. O que eu faria primeiro? Queria tanto tomar um café.

Pedi o café para o papai, tomei, enquanto a pequenina aceitava uma cadeirinha com bichinhos pendentes. Uffa, café antes de começar o dia de verdade.
Papai foi embora, 7h10 da matina. Eu me sentei por um minuto antes de iniciar todo o processo.

Deixei a fofinha no tapete de brincar,
molhei o algodão,
peguei uma fralda nova,
peguei uma fralda de secar os países baixos,
pomada,
mais uma pomada,
uma roupinha.

Levei tudo para o tapetinho, a pequerrucha já não pára quieta nessa hora, é uma “luta”.
Fralda e roupa novas.
Pequerrucha no tapete.
Corro para escovar os dentes e tomar banho. um olho cá e outro lá. “Preciso ligar no médico, preciso sair de casa as 8h20 no máximo, tenho que buscar as chaves, onde?, preciso de parafusos, será que já estarei quando a comida chegar?” Opa ” Vou levar junto a sacolinha de roupa para trocar, vai que…”

Abro o guarda roupas. Quase vazio. 6 kilos a mais, uma mala de roupas a menos. Tortura.
Um olho cá e outro lá.
” _Filha já estou terminando! ”
“Preciso levar a roupa na lavadeira, hoje? Será que minha tia pode ir comigo?”
Pintei o rosto de base, manchei as bochechas de cor de rosa. Peguei a pequenina no colo, ela já estava impaciente. Para sair é preciso arrumar a bolsinha.
Uma fralda de boca,
uma fralda maior caso cocô,
uma fralda grande caso algum outro imprevisto (sei lá qual),
um mordedor ,
uma naninha,
um babador,
uma pomada,
2 homeopatias,
uma tesourinha de unha (sim estava urgente),
uma troca de roupa de frio,
uma troca de calor,
isso, dá pra sair assim.

Arrumo meu cabelo, me acho linda, 8h22. Horário perfeito. Não vou me atrasar.

Stela-Faustino-Depoimento-Laço-Materno-Doula-Massoperapia-Campo-Grande-MSStela tem 32 anos, é recém mãe da Allana, ama escrever, é psicóloga e docente em psicologia.

Publicou o livro: “A menina que olha pela janela” (https://www.facebook.com/poesiaspequenas/)