A média brasileira de aleitamento materno exclusivo é de 54 dias. Menos de 2 meses, diante do preconizado pela Organização Mundial de Saúde, que são 6 meses. A OMS também recomenda que a amamentação se estenda por 2 anos ou mais pois as propriedades presentes no leite materno continuam sendo de suma importância nutricional, imunológica e cognitiva para o bebê. No entanto, a média dessa outra prática em terras tupiniquins é de 342 dias, menos de 1 ano (II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e no DF, 2009).

Essas estatísticas são consequência de inúmeros fatores, que vão desde um pré-natal que não prioriza a orientação ao aleitamento (ou que orienta erroneamente, por exemplo, o uso da concha de silicone para “formar o bico” desde a gestação) até o não respeito à primeira hora de vida (hora de ouro) por parte das maternidades, interferindo diretamente na primeira mamada e na consolidação da amamentação.

Em tempos em que tudo envolve lucro e as intenções nem sempre são as que aparentam, até mesmo a busca por informações pode vir com uma enxurrada de mensagens subliminares. Por esse motivo, basear-se em fontes confiáveis (IBFAN – Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar; no Facebook: GVA – Grupo Virtual de Amamentação e Matrice – Ação de Apoio à Amamentação), pesquisas sem financiamento de empresas com conflito de interesse e profissionais atualizados, faz toda diferença.

Uma situação bastante corriqueira que exemplifica a desatualização profissional é o incentivo (ou não desencorajamento) ao uso de chupetas e mamadeiras. Elas causam confusão de bicos por terem mecanismos de sucção completamente diferentes da sucção do seio materno. A chupeta é usada para acalmar o bebê ou fazê-lo dormir, mas atrapalha a livre demanda, pois substitui potenciais mamadas, que culmina em menor estímulo do seio, diminuindo produção de leite, que resulta em alteração no ganho de peso, e, diante desse quadro, o pediatra prescreve complementação com leite artificial antes de cada mamada, mas não explica com detalhes COMO ela deve ser feita, então entra a mamadeira, e fim.

Um profissional capacitado pode evitar esse quadro? Certamente! Mas a questão é não termos mais estatísticas como essa, pois só quem incentiva, estimula, orienta e aconselha o aleitamento materno sabe a infelicidade de ver relatos de mães que viram seus bebês desmamarem diante do contexto citado acima e inúmeros outros, cabíveis de orientação e acolhimento prévio.

Preparar-se para a amamentação é informar-se. A série Bem Gestar tem essas e outras informações, importantes não só para papais e mamães, mas para todos os envolvidos no nascimento do novo membro familiar. Escolhas só são realmente escolhas quando feitas com base em informações de qualidade.

 

Autora: Elise Dias