Por Arnaldo V. Carvalho

 

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O pós-parto é o “drama esquecido” (ou negligenciado) por uma parte significativa de profissionais de sáude ocupados com o período gestacional e o parto. Em geral é assim: pré-natal com visitas da gestante aos profissionais (obstetra/obstetriz, parteira, doula, etc) e desses profissionais à gestante (menos comum mas bem bacana). Tudo vai sendo orientado até o parto. Pariu. Primeira noite, uma ligação, etc… Uma semana depois já são poucos os que vão permanecer no contato. Nasceu bebê, mãe está bem… É com “outras gentes”. É um preço do mundo especializado, onde você fica cada vez mais dedicado (e melhor, sim) em menos coisas. E é um período de des-vínculo difícil, porque aquelas pessoas tão coladinhas no que estava acontecendo quase desaparecem, e as vezes se tenta novos vínculos (o foco maior costuma ser no pediatra) e outras vezes, nem isso… Mas não são como antes. Não foram conhecendo aos poucos. Vem para falar de pega no seio, de cólicas de bebê… Não conheciam essa mulher, não se criou uma intimidade gradativa, não nada. Assim, o amparo afetivo do pós-parto, que é tão importante quanto o amparo técnico, anda em baixa. A família infelizmente ajuda pouco. As mães das novas mães não costumam ter boas experiências, pegaram o pico da desumanização desse momento, querem ter suas vidas, esqueceram como era, ou ao contrário, querem ditar um como deve ser que nem sempre funciona para a filha, bebê e a dinâmica daquela nova família. Como é preciosa a participação profissional, e como seria importante que fosse vista como continuidade do que veio antes! Algumas doulas estão ligadas nisso e é bem bacana quando estão. Mas talvez ainda falte amparos outros, que faltam em muitas formações. Precisamos falar de nutrição, sol, exercícios, do manejo do pai (é um tema por si só!), dos irmãos do bebê, do holofote tirado da mãe da noite para o dia (e não só o holofote!). Precisamos falar de tudo o que não está acontecendo e está permitindo um alarmante crescimento das taxas de depressão pós-parto (minha experiência diria que os dados oficiais são menores do que as taxas reais, porque dependem da pessoa assumir e registrar o problema junto a médicos e pesquisas, e isso nem sempre acontece). Há quem pense que a depressão pós parto é um “Problema da mãe”, e que não tem grandes impactos futuros. Pois eu digo que o transtorno é de ordem COLETIVA, sistêmica, e que recai no final das contas no lado mais massacrado desse sistema: a mãe cuja natureza encontra-se, repito o que tenho repetido em toda essa série, quase sempre abafada por uma série de ritos, crenças e desamparos da sociedade moderna. A depressão pós parto não é um problema que se esgota em si mesmo. Ela acaba um dia. Mas até acabar, pode comprometer toda uma ordem de vínculos afetivos, podendo gerar diversas separações, de fato ou simbólicas.

Em nosso encontro no Laço Materno, prometo que vamos falar um pouco sobre a influência do uso indiscriminado de ocitocina sintética no cenário do nascimento e da amamentação e suas possíveis consequências no problema de vínculo que é o principal fundo da DPP. Também poderemos tocar no advento da psicologia da não culpa que ao mesmo tempo que absolve a mulher de todos os transtornos que recaem sobre ela tentam lhe recompensar com fatias de “você não pode ser só mãe, precisa se lembrar de ser mulher, quando começar a trabalhar vai recuperar a confiança, etc.”. Esse discurso dá muito certo, mas a dúvida é o quanto mina a sensação de capacidade real de ser mãe e TER PRAZER EM SER! Tempero de conflitos internos que às vezes acompanharão a mulher por toda a vida.
Vamos então aprender algumas estratégias de “pontes emocionais”, que utilizam olfato, alimentos e outros detalhes que doulas e profissionais deverão aprontar para que esse pós parto ocorra sem sustos para ninguém, pelo contrário!

 

Até lá!
Arnaldo V. Carvalho

 

* Arnaldo V. Carvalho é um psicoterapeuta corporal e naturopata, militante do cenário do nascimento e da saúde primal (da concepção ao primeiro ano de vida do bebê), e estará vindo do Rio de Janeiro para ensinar técnicas terapêuticas para profissionais da área, no Laço Materno. Confira (adicionar link para o evento)

 

O professor e terapeuta carioca Arnaldo V. Carvalho, militante do cenário que envolve o nascimento, virá ao Laço Materno nos dias 14 e 15 de abril de 2018 ensinar técnicas especiais de cuidado com a mãe-bebê durante todas as suas fases, inclusive no trabalho de parto e pós-parto.

O Laço Materno estará publicando, em primeira mão, uma série de artigos inéditos, Ensaios do Nascimento. Eles abordarão tópicos importantes sobre o tema, ajudarão os profissionais de saúde da área e as mães grávidas a estarem um passo à frente em seus cuidados e empoderamentos e poderão ser aprofundados na vinda do professor.

Acompanhe aqui todos os textos da série “Ensaios do Nascimento” do professor Arnaldo V. Carvalho.

Ensaios do Nascimento – Textos inéditos sobre o gestação, parto e pós parto: Arnaldo V. Carvalho escreve para o público do Laço Materno

Ensaios do Nascimento 1 – Contatos Imediatos: os contatos que o bebê no útero tem com o mundo exterior e seus impactos na vida

Ensaios do Nascimento 2 – Lugar de homem no parto é onde?

Ensaios do Nascimento 3 – As intervenções terapêuticas na gravidez e seus impactos no empoderamento da mulher

Ensaios do Nascimento 4 – Sexo e gravidez: o “detalhe Z”

Ensaios do Nascimento 5 – Gravidez, enjoos e a saúde placentária

Ensaios do Nascimento 6- O trabalho de parto e o manejo natural das circunstâncias

Ensaios do Nascimento 7 – Preparação para um pós-parto sem sustos

Ensaios do Nascimento 8 – Gravidez e Naturopatia

Ensaios do Nascimento 9 – O pensamento terapêutico oriental e a gravidez

Ensaios do Nascimento 10 – Ervas, aromas e alimentação na gravidez

Ensaios do Nascimento 11 – A gravidez da transcendência pessoal

Arnaldo V. Carvalho Therapies for a New Conscience www.arnaldovcarvalho.com +55 21 99246-5999